› S.O.S – Salve nossa sociedade


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O consumidor do futuro

O mundo redescobre a consciência ambiental, o respeito pela diversidade, pela ética, a paixão e a compaixão.

 

A consciência ecológica já deixou de ser moda. Consumidores em todo o mundo estão cada vez mais preocupados com o processo de produção daquilo que consomem e deixam de comprar produtos que, de alguma forma, agridem ao meio ambiente e são socialmente injustos. Se isso já pode ser observado agora, nas próximas décadas será a razão para o sucesso e o fracasso de muitas empresas.

Nos mercados da construção, arquitetura e design de interiores o tema ganha cada vez mais destaque, seja nas mostras, feiras, palestras, como também na produção de móveis, revestimentos e até mesmo na concepção dos projetos de interiores. Um exemplo é o escritório de Graciela Piñero, que considera a sustentabilidade como um item importante na escolha de seus fornecedores “Mesmo sendo uma pequena empresa, nos associamos ao Instituto Ethos e desenvolvemos nosso próprio relatório social”, afirma.

Na Casa Cor o tema sustentabilidade será destaque em todas as cidades onde a mostra for organizada. Na edição paulista, por exemplo, foi clara a preocupação dos profissionais com a especificação de produtos ecologicamente corretos e com a utilização de elementos naturais.

 

Cruzada do bem

Segundo a pesquisadora Mechele Popcorn, em sua palestra durante o 11° Design To Business, evento organizado pela Impress Decor Brasil e pelo Centro de Design Paraná, durante a Formóbile 2008, acontece em todo o mundo uma espécie de “Cruzada do Bem”. “As pessoas estão mais preocupadas sobre como seu país pode ser mais ético e como podem ser mais conscientes socialmente”, disse.

 

Salvar a sociedade (save our society) torna-se uma obrigação de todas as pessoas. Segundo esta tendência é fundamental prestar atenção nas crianças, nas suas perguntas e inquietações. Somente assim será possível entender o futuro da sociedade. “SOS é a busca pela responsabilidade social; é o reconhecimento de que o que tem sido feito por você, pelos governos, pelas empresas, não basta”, explica.

 

Uma pesquisa divulgada por Mechele mostra que 6% dos consumidores já estão dispostos a pagar mais caro por produtos ecologicamente corretos. Outro exemplo da mudança da sociedade e que deve ser observada no futuro está nos hábitos alimentares. Se no final dos anos 90 imperava o fast food, já começa a ser adotado neste terceiro milênio o slow food. Mais de 85 mil pessoas em mais de 100 países já adotaram este estilo de vida, que pauta-se pelo consumo de tudo o que for produzido localmente, pela preferência por alimentos orgânicos, que representem o respeito ao meio ambiente (não utilizam agrotóxico), valorizam o trabalho dos agricultores na região onde vivem e são mais saudáveis (frescos).

 

Diferente de quem imagina que são os mais jovens que estão adotando este estilo de vida, na verdade trata-se da geração de baby boomers (gerados na década de 60). Diferentes de seus pais, são pessoas que têm maior consciência sobre sua saúde o meio ambiente e querem fazer algo para mudar a sociedade. “Esta faixa etária – que vai dos 55 aos 65 anos - abraçou esta cruzada do bem com muita intensidade”, explica Mechele.

 

Reutilizar, Reciclar

No setor da construção e do design de interiores outra forte tendência na cruzada do bem é o resgate de materiais de demolição que já tiveram sua serventia e que são descartados. É o velho que se torna novo. Além de oferecer um efeito interessante aos projetos, também é uma forma de contribuir para a redução do lixo.


Home Borgo Armando Cerello produzido com base de madeira de demolição. 
Um exemplo é a empresa Buffalo ReUse, que recolhe móveis da Ikea, descartados quando perdem sua utilidade e depois são transformados em novas peças. No projeto da Brinquedoteca para a Casa Cor 2008, Glaucya Taraskevicius utilizou pneus de Stock Car e sobras de pneu nas poltronas criadas pela ONG Arte em Pneus.

 

Poltrona criada pela ONG Arte em pneus

Segundo dados do balanço do governo em 247 municípios brasileiros (50% deles têm coleta seletiva), dos 335 quilos de lixo que cada brasileiro produz por ano, somente 2,8 kg são reciclados – o que não representa nem 1% do total. A questão que se coloca é a necessidade de repensar o ciclo de vida dos produtos e também a sociedade de consumo, do descartável. Está por trás deste conceito a utilização do Selo Verde, que comprova que o produto é sustentável.

 

Diante desta tendência, todos os produtos que conseguirem agregar componentes reciclados de alguma forma passam a ser mais valorizados. No futuro, as casas deverão utilizar melhor os recursos naturais, contribuindo para que a saúde dos moradores seja ainda melhor e que a sua consciência ecológica seja mais leve – como a alma de quem sabe que está fazendo sua parte para salvar o planeta.