
Cristina Gailey é psicóloga (PUC/1977) e especialista em Educação Ambiental (USP/2004). Diretora da Proativa Consultoria, empresa especializada em Gestão Integrada e Educação Ambiental. Possui larga experiência em treinamento, pesquisa de clima organizacional e projetos relacionados à qualidade de vida. Na ANAB Brasil, coordena o curso de gestão para empreendimentos sustentáveis. Em entrevista ao ANABNews, Cristina analisa o novo cenário sustentável da Construção Civil brasileira e o reflexo desse fato no perfil dos profissionais da área.
1. Qual a sua visão sobre o cenário atual da Construção Sustentável?
Estamos presenciando um grande movimento a favor das boas práticas e da responsabilidade social, mas ainda estamos diante de ações muito pontuais. Não existe uma cultura realmente assimilada que garanta qualidade de vida e sustentabilidade.
2. Que desafios precisam ser superados para a aplicação da prática sustentável no Brasil?
O maior desafio está relacionado aos nossos valores e crenças. Estamos falando de atitudes, daquilo que direciona as nossas ações. Se queremos realmente mudar nossos hábitos e fazer escolhas e opções mais coerentes, com o conceito de sustentabilidade, precisamos, antes de mais nada, acreditar que isto tem um papel importante e útil nas nossas vidas. Se não houver comprometimento com estas ações, acabamos por escolher meios mais fáceis e cômodos em detrimento de soluções alternativas.
3. Em sua opinião, como o governo brasileiro pode contribuir para a questão da sustentabilidade na construção civil?
Acredito que deveria haver uma gestão integrada sustentável que reunisse iniciativas do governo, das empresas privadas e da sociedade civil.
4. Em relação à sustentabilidade, qual o papel do profissional da área de construção?
É importantíssimo, pois a construção representa uma parcela muito significativa do PIB e é responsável por um impacto ambiental enorme, nos diversos segmentos da cadeia produtiva.
5. Qual a importância da capacitação de gestores para a sustentabilidade?
Os gestores são responsáveis pela administração de recursos materiais e humanos para que resultados desejados sejam atingidos. Portanto, se temos gestores muito técnicos, mas que não sabem como lidar com pessoas e suas motivações, não têm visão sistêmica, boa comunicação, conhecimentos específicos sobre gestão estratégica, enfim, se estes profissionais não possuírem competências necessárias e coerentes com uma visão sustentável, dificilmente serão capazes de organizar e estimular suas equipes a atingirem bons resultados.
6.Quais competências você acredita serem essenciais para um gestor sustentável?
Muitos fatores devem ser levados em consideração, mas é inevitável se considerar a importância da liderança em qualquer etapa do processo do trabalho em equipe. Citaria algumas competências como essenciais ao “gestor estratégico”: Ser capaz de reconhecer e desafiar barreiras materiais, cognitivas e políticas, visão sistêmica, pro atividade, comunicação, capacidade para trabalhar em equipes multidisciplinares. Mas para tudo isso, a direção das empresas deve ter sempre em mente a necessidade do desenvolvimento contínuo de seus líderes.
7. Como avalia a capacitação do profissional brasileiro em relação à demanda de mercado?
Estamos presenciando, atualmente, uma crise séria na construção civil. Faltam profissionais qualificados para trabalhar em todos os níveis, incluindo os de nível superior. Ainda vivemos num país com grandes diferenças sócio-econômicas e culturais que favorecem uma defasagem acentuada no acesso à capacitação. Além disso, acredito que nosso sistema educacional deva ser revisto, incluindo a formação de profissionais de nível superior. Os estudantes precisam de uma percepção mais sistêmica da realidade, desenvolver as competências humanas além das técnicas, obter uma visão do cenário eficiente, para que se formem com um perfil mais completo e flexível.
8. De que forma a defasagem de informações e tecnologias sustentáveis no Brasil pode prejudicar os profissionais da área? Como o profissional pode suprir essa carência?
Prejudica toda a sociedade, haja vista essa enorme defasagem entre demanda e mão de obra qualificada. Hoje precisamos ser profissionais conscientes, donos de nossas carreiras e do nosso desenvolvimento pessoal. Competências que vendemos para o mercado. Assim sendo, devemos buscar cada vez mais suprir as carências, sendo pro ativos e desenvolvendo competências essenciais para estarmos atuantes e preparados para um mercado cada dia mais turbulento e incerto.
Fonte:
ANAB-Brasil. - Associação Nacional Arquitetura Bioecológica.
- Potencial de luminosidade do céu paulista é pouco explorado
- Reciclagem na Construção Civil
- Produção de Empreendimentos Sustentáveis
- O que é a casa ecológica?
- O mercado imobiliário necessita de edifícios inteligentes, mas também ecoeficientes e confortáveis
- Marketing Verde, a oportunidade para atender demandas da atual e futuras gerações
- Educação Ambiental Corporativa e Sustentabilidade
- Economia e Meio Ambiente – Interesses Colidentes?
- Desenvolvimento Sustentável x Qualidade de Vida
- Bioarquitetura: Um olhar em busca da essência
- Arquitetura Sustentável: Qualidade do Ar Interno e Saúde dos Ocupantes
- Arquitetura Sustentável: Reciclagem de Resíduos da Construção Civil
- Arquitetura Sustentável: Prevenção da Poluição no Canteiro de Obras
- Arquitetura Eco-Sustentável - Um Novo Paradigma
- À uma Arquitetura Ecológica
- A importância da gestão de pessoas para desenvolver uma cultura sustentável

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