
por Cris Campana

Falar de arte, do fazer artístico, ou do viver a arte
Neste caso, todas as opções, quando se pensa em um grupo, uma tribo de pessoas vivendo a arte na sua forma mais intensa, ou seja, a arte intríseca nos seus dias, no seu universo, no seu ser, quando deste viver intenso, resultam maravilhosas fotos.
E nos deparamos com Hans Sylvester
Com suas tradições preservadas, o vale do rio Omo, é um museu de história natural ao vivo e em três dimensões.
E é neste habitat, com este material rico que Hans cravou seu olhar, e viu o modo de vida pictórico da tribo Omo.

"As tribos do Omo"
Aos confins da Etiópia, a séculos da modernidade, Hans Sylvester fotografou durante seis anos tribos onde homens, mulheres, crianças, velhos, são gênios de uma arte ancestral.
A seus pés, o rio do Omo, sobre um triângulo Etiópia-Sudão-Quênia, o grande vale do Rift que se separa lentamente da África, uma região vulcânica que fornece uma imensa palheta de pigmentos, ocre vermelho, caulim branco, verde revestido, amarelo luminoso ou cinzento das cinzas vulcânicas.
Eles têm a genialidade da pintura, e o seus corpos de dois metros de altura, uma imensa tela. A força de sua arte está em três palavras: os dedos, a velocidade e a liberdade.
Desenham com as mãos abertas, com a extremidade das unhas, às vezes com um pedaço de madeira, um colmo, um caule esmagado. Gestos vivos, rápidos, espontâneos, além da infância, este movimento essencial que procuram os grandes mestres contemporâneos quando aprenderam muito e tentam esquecer , para na pureza do gesto infantil, chegar a uma profundidade pictórica.
Eles desejam o belo, querem estar sempre lindos, um jogo e um prazer permanente. O suficiente para, com os dedos na argila,e em dois minutos, pintam sobre o peito, os seios, o pubis, as pernas, o rosto... nasce assim, nada menos que um Miro, um Picasso, um Pollock, um Tàpies, um Klee…"

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